Soft Machine - Third (1970)
Que salto absolutamente gigantesco! Ao terceiro álbum, os Soft Machine lançavam um colosso que fazia com que os dois discos anteriores parecessem de uma banda completamente diferente. Na altura um duplo LP, Third estava dividido em quatro temas, um para cada lado dos vinis, num total aproximado de setenta e cinco minutos. Com esta estrutura, cada músico dispôs de tempo de fita suficiente para explorar e mostrar o que valia. Para ajudar na composição do som, a banda convidou um quarteto de sopros constituído por Nick Evans (trombone), Lyn Dobson (flauta e saxofone soprano), Elton Dean (saxofone alto), e Jimmy Hastings (flauta e clarinete). Estas "contratações", ainda que temporárias, traziam um membro permanente aos Soft Machine, o talentoso Elton Dean. A inspiração de todos é notória, começando a mostrar-se logo nos ruídos intimidantes que Mike Ratledge (teclas) faz no tema de abertura, da autoria de Hugh Hopper (baixo). A composição Facelift, montada a partir de uma série de performances ao vivo, consegue assustar, hipnotizar e surpreender, fruto do seu equilíbrio entre silêncio, melodia e ruído. Segue-se a composição jazz-rock de Ratledge, Slightly All The Time, com linhas de baixo equilibradas, que prima pelo seu ambiente de saxofone sedutor nas passagens mais calmas, e agressivo quando a velocidade aumenta. O ambiente do disco assume-se definitivamente sério e está longe do psicadelismo e jazz-rock desajeitado de Volume Two. Por todo o álbum, Robert Wyatt (voz, bateria) vai exibindo a sua crescente evolução como baterista. Depois de dois temas arrebatadores, a épica Moon In June (da autoria de Wyatt) confirma o incontornável charme do vocalista/baterista. Sendo esta a única composição que não é totalmente instrumental, é também a única tocada, na sua maioria (bateria, voz, guitarra, baixo), por Wyatt, exceptuando na movimentada parte intermédia, onde se juntam Ratledge e Hopper, e na parte final, onde aparece Rab Spall (violino). O tema mostra Wyatt no seu estilo vocal "fora de tom", e jeito humorístico cativante. Num disco onde cada composição atinge vários clímaxes, Out-Bloody-Rageous (da autoria de Ratledge) não foge à regra, e viaja por uma prolongada sequência inicial de teclados, onde uma inteligente manipulação de fita lhe confere um ambiente etéreo impressionante. Ratledge, para além de começar a destacar-se pelo seu estilo de fraseamento musical, mostrava-se muito ambicioso no que dizia respeito à experimentação. Out-Bloody-Rageous evolui posteriormente para mais uma bem estruturada e excitante exploração jazz-rock que termina com hipnotizantes sequências de teclados, semelhantes à abertura. Numa altura em que o estilo fusion começava a revelar algumas pérolas, o inestimável valor de Third projectava os Soft Machine para a linha da frente deste movimento.
Faixas:
1. Facelift (Live)
2. Slightly All The Time
3. Moon In June
4. Out-Bloody-Rageous
Estilos:
Jazz-Rock, Art-Rock, Fusion, Experimental.
Avaliação:*****




















