Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Soft Machine - Third (1970)

Que salto absolutamente gigantesco! Ao terceiro álbum, os Soft Machine lançavam um colosso que fazia com que os dois discos anteriores parecessem de uma banda completamente diferente. Na altura um duplo LP, Third estava dividido em quatro temas, um para cada lado dos vinis, num total aproximado de setenta e cinco minutos. Com esta estrutura, cada músico dispôs de tempo de fita suficiente para explorar e mostrar o que valia. Para ajudar na composição do som, a banda convidou um quarteto de sopros constituído por Nick Evans (trombone), Lyn Dobson (flauta e saxofone soprano), Elton Dean (saxofone alto), e Jimmy Hastings (flauta e clarinete). Estas "contratações", ainda que temporárias, traziam um membro permanente aos Soft Machine, o talentoso Elton Dean. A inspiração de todos é notória, começando a mostrar-se logo nos ruídos intimidantes que Mike Ratledge (teclas) faz no tema de abertura, da autoria de Hugh Hopper (baixo). A composição Facelift, montada a partir de uma série de performances ao vivo, consegue assustar, hipnotizar e surpreender, fruto do seu equilíbrio entre silêncio, melodia e ruído. Segue-se a composição jazz-rock de Ratledge, Slightly All The Time, com linhas de baixo equilibradas, que prima pelo seu ambiente de saxofone sedutor nas passagens mais calmas, e agressivo quando a velocidade aumenta. O ambiente do disco assume-se definitivamente sério e está longe do psicadelismo e jazz-rock desajeitado de Volume Two. Por todo o álbum, Robert Wyatt (voz, bateria) vai exibindo a sua crescente evolução como baterista. Depois de dois temas arrebatadores, a épica Moon In June (da autoria de Wyatt) confirma o incontornável charme do vocalista/baterista. Sendo esta a única composição que não é totalmente instrumental, é também a única tocada, na sua maioria (bateria, voz, guitarra, baixo), por Wyatt, exceptuando na movimentada parte intermédia, onde se juntam Ratledge e Hopper, e na parte final, onde aparece Rab Spall (violino). O tema mostra Wyatt no seu estilo vocal "fora de tom", e jeito humorístico cativante. Num disco onde cada composição atinge vários clímaxes, Out-Bloody-Rageous (da autoria de Ratledge) não foge à regra, e viaja por uma prolongada sequência inicial de teclados, onde uma inteligente manipulação de fita lhe confere um ambiente etéreo impressionante. Ratledge, para além de começar a destacar-se pelo seu estilo de fraseamento musical, mostrava-se muito ambicioso no que dizia respeito à experimentação. Out-Bloody-Rageous evolui posteriormente para mais uma bem estruturada e excitante exploração jazz-rock que termina com hipnotizantes sequências de teclados, semelhantes à abertura. Numa altura em que o estilo fusion começava a revelar algumas pérolas, o inestimável valor de Third projectava os Soft Machine para a linha da frente deste movimento.

Faixas:
1. Facelift (Live)
2. Slightly All The Time
3. Moon In June
4. Out-Bloody-Rageous

Estilos:
Jazz-Rock, Art-Rock, Fusion, Experimental.

Avaliação:*****

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Soft Machine - Volume Two (1969)

Pouco depois do lançamento do primeiro disco, Kevin Ayers (voz, baixo) saía dos Soft Machine e quase provocava o fim do grupo. No entanto, obrigações contratuais exigiam a gravação de um segundo álbum e a dupla Robert Wyatt (voz, bateria) e Mike Ratledge (teclas) tratou de recrutar um dos seus roadies, Hugh Hopper, para o baixo. Hopper trazia algumas composições na bagagem, pelo que ajudou o grupo a combater a escassez de novo material. Mantendo o espírito experimental do primeiro disco, os Soft Machine começam ao estilo de um programa de rádio, com Wyatt a anunciar em tom de gozo o "alfabeto britânico", seguido pelo baixo de Hopper a passar por um pedal de "fuzz". Assim começa Volume Two, com uma sequência musical arranjada com instrumentos de sopro e com as teclas de Ratledge a assinalarem a melodia de Hibou, Anemone and Bear. Wyatt continua igual ao disco anterior, com a afinação deslocada e a tendência para introduzir humor por todos os lados. Entre paragens e recomeços, chegamos a Hulloder, que abre uma sequência que apanha Wyatt a cantar em espanhol (Dada Was Here) e que se prolonga até Have You Ever Bean Green?, um tema de agradecimento aos Jimi Hendrix Experience. Pataphysical Introduction, Pt. II volta ao tema de abertura para seguir numa incursão psicadélica, Out Of Tunes, que termina a primeira parte do álbum. É notória a incorporação de mais elementos jazz nas composições do segundo álbum, apoiadas pelo contributo de Brian Hopper (irmão de Hugh) no saxofone. Na segunda parte o grupo parece mais entrosado, e a composição As Long as He Lies Perfectly Still apresenta ideias mais estruturadas, se bem que a voz de Wyatt esteja camuflada no meio da mistura sonora. Mas a magia do vocalista volta a mostrar-se em formato mais natural, com Hopper elegantemente na guitarra acústica e Wyatt numa contagiante interpretação em Dedicated to You But You Weren't Listening. Fire Engine Passing with Bells Clanging começa em modo instrumental ameaçador, mas logo depois se transforma numa das provocadoras histórias de Wyatt, o tema Pig, desta vez com menção a virgens. A exploração jazz aprofunda-se na repetitiva Orange Skin Food e é depois adornada com elementos funk em A Door Opens and Closes. O disco termina com outro tema maioritariamente instrumental, 10: 30 Returns to the Bedroom, que não acrescenta nada de novo aos intentos do grupo. À segunda tentativa, os Soft Machine caminhavam definitivamente na direcção do jazz, mas os problemas de produção e consistência mantinham-se. O grupo parecia não ter capacidade de harmonizar todos os elementos musicais que pretendia explorar.

Faixas:

Rivmic Melodies
1. Pataphysical Introduction, Pt. I
2. A Concise British Alphabet Pt.I
3. Hibou, Anemone and Bear
4.A Concise British Alphabet Pt.II
5. Hulloder
6. Dada Was Here
7. Thank You Pierrot Lunaire
8. Have You Ever Bean Green?
9. Pataphysical Introduction, Pt. II
10. Out of Tunes

Esther's Nose Job
11. As Long as He Lies Perfectly Still
12. Dedicated to You But You Weren't Listening
13. Fire Engine Passing with Bells Clanging
14. Pig
15. Orange Skin Food
16. A Door Opens and Closes
17. 10: 30 Returns to the Bedroom

Estilos:
Jazz-Rock, Jazz, Pop-Rock, Experimental, Folk

Avaliação:***1/2

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Soft Machine - The Soft Machine [Volume One] (1968)

Mesmo ao cair do pano do ano de 1968, os Soft Machine lançavam o seu primeiro disco, produzido pelo manager dos Jimi Hendrix Experience e ex-baixista dos Animals, Chas Chandler. A originalidade e estranheza do grupo é evidente logo nos primeiros sons que o álbum mostra. O singular timbre vocal de Robert Wyatt (voz, bateria), sempre a fugir ao tom certo, assinala o início de forma etérea, que rapidamente se transforma numa locomotiva a todo o vapor com bateria, órgão (Mike Ratledge) e baixo (Kevin Ayers) em perfeita sintonia. O tema (Hope For Happiness) sofre um pequeno interlúdio (Joy of a Toy) até ser concluído em jeito de reprise. Why Am I So Short? mostra Wyatt a cantar sobre si próprio, na primeira pessoa, num misto de humor e excentricidade que evolui para o longo instrumental So Boot If at All, que conta com bateria frenética, bons apontamentos de Mike Ratledge no órgão e no piano, e Kevin Ayers no modo desajeitado (às vezes propositado, outras vezes não) no baixo. A confusão é interrompida pela bela e frágil A Certain Kind, onde o poder encantatório da voz de Robert Wyatt é esmagador. Do clímax, o grupo transita para temas que pareciam estar ainda na fase de "garagem". Save Yourself aparece unida a Lullaby Letter, com mais um interlúdio instrumental, Priscilla, na fase mais morna (não necessariamente a mais lenta). O disco volta a entrar no rumo certo com a hilariante e repetitiva We Did It Again, cortesia de Kevin Ayers. O mesmo músico volta a brilhar em Why Are We Sleeping? (tema introduzido por Plus Belle Qu'une Poubelle), onde a sua voz grave e discurso absurdo precede os coros femininos do refrão. O disco termina com cinquenta segundos de uma complexa melodia num tempo estranho, e reforça a ideia de excentricidade que o grupo pretendia passar. Se bem que o álbum sofra de alguma imaturidade, problemas de engenharia e falta de consistência nas composições, os Soft Machine construiram um disco ambicioso e com carácter. O facto de andarem em digressão pelos Estados Unidos da América, a abrirem os concertos de Jimi Hendrix, valeu-lhes ainda algum reconhecimento em termos de vendas.

Faixas:
1. Hope for Happiness
2. Joy of a Toy
3. Hope for Happiness (Reprise)
4. Why Am I So Short?
5. So Boot If at All
6. A Certain Kind
7. Save Yourself
8. Priscilla
9. Lullaby Letter
10. We Did It Again
11. Plus Belle Qu'une Poubelle
12. Why Are We Sleeping?
13. Box 25/4 Lid

Estilos:
Art-Rock, Jazz-Pop, Jazz-Rock.

Avaliação:****1/2

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Soft Machine - Biografia


Um dos grupos mais famosos de Canterbury, os Soft Machine desde cedo mostraram curiosidade em explorar o abstracto e o absurdo, mantendo um espírito marcadamente experimental, ainda que bastante enraizado no jazz. Inicialmente um trio, constituído por Robert Wyatt (voz, bateria, e ex-Wilde Flowers), Mike Ratledge (teclas) e Kevin Ayers (voz, baixo, e ex-Wilde Flowers), o grupo começou a carreira a explorar sonoridades jazz, com algumas incursões pop e psicadelismos. Tiveram um grande incentivo no início da carreira ao serem escolhidos para acompanhar a digressão de Jimi Hendrix, os que lhes conferiu alguma visibilidade e também lhes permitiu gravarem o primeiro disco. Mas a vida dos Soft Machine seria tudo menos fácil e Ayers saíria logo no seu primeiro ano com o grupo, tendo causado quase o fim definitivo da banda. Pouco tempo depois, por motivos contratuais, os Soft Machine eram obrigados a gravar novo disco e recrutavam Hugh Hopper (baixo), até aí um roadie da banda. Guiados pelo timbre vocal peculiar de Wyatt, o grupo começava a ganhar oportunidades e pouco depois contaria com mais um reforço, Elton Dean (saxofone). Cada novo disco dos Soft Machine parecia conter menos partes vocais do que o anterior, pelo que não foi uma surpresa quando se tornaram num grupo instrumental em 1971. Nesse mesmo ano, Robert Wyatt abandonaria o grupo e formaria os Matching Mole. O músico seria substituído, primeiro por Phil Howard e depois, definitivamente, por John Marshall. Por esta altura o grupo abraçava o estilo fusão (rock, jazz, experimental) e gozava de boa reputação. Em 1972 sai Elton Dean e entra o multi-instrumentista Karl Jenkins (oboé, saxofone, teclas). No ano seguinte saía Hugh Hopper e entrava Roy Babbington (contrabaixo, baixo). Em meados dos anos setenta, passam pelo grupo guitarristas como Alan Holdsworth e John Etheridge, numa tentativa de acrescentar novos sons e dinâmicas às composições. Em 1976, o único membro fundador dos Soft Machine, Mike Ratledge, abandonava as hostes e deixava a banda a cargo de Jenkins, que editaria um par de discos até dar por terminada a aventura. Nunca movidos por quaisquer interesses comerciais, os Soft Machine, mesmo com todas as mudanças de alinhamento, mantiveram sempre uma forte identidade que influenciou consideravelmente os grupos à sua volta.

Álbuns:
THE SOFT MACHINE(1968)
VOL.2 (1969)
THIRD (1970)
FOURTH (1971)
FIFTH (1972)
SIX (1973)
SEVEN (1974)
BUNDLES (1975)
SOFTS (1976)

Estilos:
Jazz-Rock, Fusion, Experimental, Pop-Rock, Jazz-Pop, Art-Rock

Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012

Caravan - Caravan (1968)

Em finais de 1968, os Caravan davam o seu primeiro passo musical em formato de disco, num lançamento que primava pelo equilíbrio e pela maturidade. Ao contrário do que era tocado nas rádios na altura, os Caravan assumiam uma toada aparentemente mais séria, não fossem as subtilezas (por vezes evidências) humorísticas, um pouco por todo o álbum. A balada Place Of My Own abre o disco discretamente, com a gentil voz de Pie Hastings (voz) a flutuar sobre as passagens etéreas nas teclas (David Sinclair) e nos padrões originais e seguros de Richard Coughlan (bateria). Ride prolonga a hipnotizante sensação de alienação com a sua percussão, coros, e ambiente obscuro, que entra em território mais terra-a-terra quando chegam os refrões animados pelo órgão de David Sinclair. A psicadélica Policeman introduz a voz de Richard Sinclair (voz, baixo) e também os seus apontamentos humorísticos. Love Song With A Flute começa como uma misteriosa balada soul, evoluindo depois para uma animada segunda fase que culmina no final instrumental onde aparece Jimmy Hastings (convidado e irmão de Pie) a demonstrar o seu talento. Cecil Rons mistura terror e humor de forma imaculada, por entre interessantes paletas de sons e imaginários absurdos. A melancolia e espírito sonhador de Magic Man abrem caminho para Grandma's Lawn, onde Richard Sinclair volta a emprestar o espírito atrevido e irónico. A fechar, um espectacular tema épico na forma de Where But For Caravan Would I, que vai sendo construido lentamente, entre belas melodias, e atingindo vários clímaxes, sempre em pose elegante. O álbum beneficiou de uma engenharia de som, algo atípica na altura, que lhe conferiu uma sonoridade ecoante e espessa. Bem recebido pela crítica, o disco abriu as portas do circuito underground aos Caravan.

Faixas:
1. Place Of My Own
2. Ride
3. Policeman
4. Love Song With A Flute
5. Cecil Rons
6. Magic Man
7. Grandma's Lawn
8. Where But For Caravan Would I

Estilos:
Folk-Rock, Psychedelic Rock, Soul, Progressive-Rock.

Avaliação:*****

Sábado, 24 de Dezembro de 2011

Caravan - Biografia


Formados em 1968, em Canterbury, os Caravan emergiram a partir das cinzas de um dos primeiros grupos do movimento "Canterbury scene", os The Wilde Flowers. A banda era composta por Pie Hastings (voz, guitarra), Richard Sinclair (baixo, voz), David Sinclair (teclas) e Richard Coughlan (bateria), e apresentava uma sonoridade que misturava psicadelismo, soul, rock progressivo e um peculiar sentido de humor. Musicalmente evoluídos, os Caravan construiam a sua música de forma simples, apostando em passagens musicais calmas e etéreas, acrescentando-lhes crescendos musicais, e mantendo sempre grande sobriedade nos arranjos. Depois de terem lançado três discos que não lhes conseguiram retirar o estatuto underground, os Caravan começaram a sofrer com as mudanças no alinhamento. David Sinclair foi o primeiro a sair, em 1971, para se juntar aos Matching Mole, sendo seguido pelo seu primo Richard Sinclair que se juntou ao grupo Delivery, em 1972 - ambos descontentes com a falta de reconhecimento público do grupo e com ideias diferentes das de Hastings no que dizia respeito à orientação musical. O substituto de David Sinclair, o teclista Steve Miller tocaria apenas em Waterloo Lily, antes de sair juntamente com Richard para formar novo grupo. O ano de 1973 trouxe um novo espírito aos Caravan com a entrada de Geoff Richardson (viola de arco, guitarra), John Perry (baixo, voz), e o regresso de David Sinclair. Mas a estabilidade no alinhamento não estava para durar. Os lugares de baixista e teclista estariam sempre sujeitos a saídas e regressos, sendo neste período o núcleo do grupo constituído por Hastings, Coughlan e Richardson. Em 1983, acontecia um novo marco para o grupo, quando os quatro membros originais dos Caravan se juntavam para gravar Back to Front, o último álbum antes de um longo período de ausência. Se bem que o grupo ainda tenha gravado um disco nos noventa, e outro nos primeiros anos de 2000, a verdadeira história dos Caravan havia ficado escrita nas décadas de sessenta e setenta. Sem nunca deixarem de ser uma banda de culto, os Caravan assinaram um importante e personalizado contributo musical que atesta a sua qualidade.

Álbuns:
CARAVAN (1968)
IF I COULD DO IT ALL OVER AGAIN... (1970)
IN THE LAND OF GREY AND PINK (1971)
WATERLOO LILY (1972)
FOR GIRLS WHO GROW PLUMP IN THE NIGHT (1973)
CARAVAN AND THE NEW SYMPHONIA (1974)
CUNNING STUNTS (1975)
BLIND DOG AT ST DUNSTANS (1976)
BETTER BY FAR (1977)
THE ALBUM (1980)
BACK TO FRONT (1983)

Estilos:
Art-Rock, Progressive-Rock, Pop-Rock, Jazz-Rock, Folk-Rock.

Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

Tema - Aromas de Canterbury

Em meados dos anos sessenta, a cidade de Canterbury (Inglaterra) viu nascer um intenso e variado movimento musical que viria a atingir um estatuto de culto entre os amantes de jazz e de rock progressivo. A banda Wilde Flowers foi a principal responsável pelo início do movimento, já que foi a partir deste conjunto musical que surgiram três importantes representantes da Canterbury Scene: os dois mais famosos - Caravan e Soft Machine - e com ligeiramente menos popularidade - os Gong. As bandas de Canterbury eram conhecidas pela variedade, qualidade musical e sentido de humor. Muitos grupos formados em Canterbury recorriam com frequência à troca de músicos entre bandas locais, reforçando a noção de promiscuidade e de comunidade musical na zona. O próximo tema d'O Pedro e a Música apresentará alguns "aromas" desta cidade e abordará, na essência, o trabalho dos Caravan e Soft Machine, a carreira a solo de Robert Wyatt (baterista/vocalista dos Soft Machine), bem como o seu projecto Matching Mole. Por aqui também passarão os Hatfield And The North, grupo que, entre outros, inclui Richard Sinclair (ex-Caravan) e o conceituado teclista de Canterbury, Dave Stewart. Claro que os National Health, o espectacular grupo onde alinhavam 3/4 dos músicos dos Hatfield And The North, também não podia faltar.

Lista de grupos incluídos:
CARAVAN
SOFT MACHINE
ROBERT WYATT
MATCHING MOLE
HATFIELD AND THE NORTH
NATIONAL HEALTH

Estilos:
Progressive-Folk, Progressive-Rock, Art-Rock, Symphonic-Rock, Experimental, Jazz, Jazz-Rock, Pop-Rock.

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Ben Harper - Give Till It's Gone (2011)

As canções de Give Till It's Gone, o décimo álbum de estúdio de Ben Harper (voz, guitarra), mostram a evolução dos estados de espírito de um músico em sofrimento amoroso, fruto da separação com a sua mulher. O disco começa com um tom de receio/esperança, Don't Give Up On Me Now, onde Harper é explícito no seu pedido à fé alheia nele próprio. O azedume de I Will Not Be Broken pinta um cenário dramático e grandioso, apoiado por efeitos electrónicos, não muito usuais no músico, mas que assentam na perfeição. Injectando algum optimismo com um hino à liberdade, Rock N' Roll Is Free, Harper entra em modo melancólico e romântico através da simplicidade folk de Feel Love. A banda de apoio a Harper é mesma que gravou White Lies For Dark Times, pelo que as semelhanças sonoras com esse disco são evidentes. Clearly Severely exibe muita velocidade e ferocidade instrumental, servindo de fundo adequado para os dinâmicos arranjos vocais que aparecem na última secção do tema. A segunda parte de Give Till It's Gone começa com a presença histórica de Ringo Starr (The Beatles) na bateria e composição. Tudo acontece na composição pop-rock melódico a médio tempo, Spilling Faith, que evolui depois para uma "coda" instrumental (Get There From Here), com ambos os temas a contarem com os talentos de bateria (e humorísticos) do músico de Liverpool. Em ambiente de serenidade, Pray That Our Love Sees The Dawn combina elegantes arranjos vocais com as ocasionais, mas personalizadas, cadências no baixo, reproduzidas também pelo dedilhar no violino. A parte final do álbum reserva uma amostra de funk, primeiro na discreta e gentil Waiting On A Sign, e depois na provocadora e apimentada Dirty Little Lover que sobe o volume e a intensidade. Do It For You, Do It For Us conclui o long player de forma catártica, revelando frustração, raiva, incerteza e orgulho ferido, em arranjos musicais que alternam entre o intimismo gentil e a agressão directa. Perante um disco tão autobiográfico como Give Till It's Gone, poucos podem questionar a autenticidade e talento de Harper, ao mesmo tempo que este assinala mais um marco seguro no seu percurso. Para este músico de culto, é isso que conta.

Faixas:

1. Don't Give Up On Me Now
2. I Will Not Be Broken
3. Rock N' Roll Is Free
4. Feel Love
5. Clearly Severely
6. Spilling Faith
7. Get There From Here
8. Pray That Our Love Sees The Dawn
9. Waiting On A Sign
10. Dirty Little Lover
11. Do It For You, Do It For Us

Estilos:
Pop-Rock, Folk-Rock, Hard-Rock, Funk.

Avaliação:****

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Soundgarden - Live on I-5 (2011)

Gravado em 1996, na última digressão que os Soundgarden fizeram antes de darem por terminada a carreira, Live On I-5 foi lançado em 2011 como forma de aproveitar a dinâmica criada pela anunciada reunião do grupo. O facto do disco ter estado 15 anos nos arquivos não o torna menos fascinante: os Soundgarden são muito bons. Live On I-5 é, na sua maioria, um apanhado dos três últimos álbuns do grupo (Badmotorfinger, Superunknown e Down On The Upside) e mostra uma banda musculada, eclética, virtuosa e pronta a tomar de assalto qualquer sala de concerto. Pelo meio os músicos tocam algumas covers de Beatles (Helter Skelter) e Stooges (Seek And Destroy), mas o verdadeiro destaque vai para a qualidade das composições originais e a destreza instrumental dos Soundgarden. Kim Thayil (guitarra) apresenta-se como um mestre da textura e dos solos precisos, Matt Cameron (bateria) como um colosso rítmico, ao lado do excêntrico Ben Shepherd: baixista possuidor de uma solidez impressionante. Chris Cornell (voz, guitarra), não estivesse este imerso em actuações exigentes, aparece algumas vezes, ora algo cansado ora incapaz de atingir certas notas. Mas tendo em conta a qualidade vocal de Cornell, é muito difícil ignorar a sua inteligência e pormenores melódicos. Contando com uma produção sonora bem balanceada, Live On I-5 é muito mais do que aproveitar a reunião dos Soundgarden. É uma exibição essencial de um grupo no seu pico de forma e aceitação comercial. E tudo isto num conjunto equilibrado de canções e de grandes performances, diante de um público entusiasta. Incontornável.

Faixas:
1. Spoonman
2. Searching With My Good Eye Closed
3. Let Me Drown
4. Head Down
5. Outshined
6. Rusty Cage
7. Burden In My Hand
8. Helter Skelter
9. Boot Camp
10. Nothing To Say
11. Slaves & Bulldozers
12. Dusty
13. Fell On Black Days
14. Search And Destroy
15. Ty Cobb
16. Black Hole Sun
17. Jesus Christ Pose

Estilos:
Hard-Rock, Pop-Rock, Heavy-Metal

Avaliação:*****

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

Radiohead - The King Of Limbs (2011)

Após quatro anos de ausência, The King Of Limbs trazia os Radiohead de regresso aos discos. Sem mostrarem muitos truques novos, os veteranos de Oxford demonstram, ainda assim, as razões pelas quais são relevantes no panorama musical. Abrindo com um ritmo electrónico meio sambado, Bloom apresenta o vocalista Thom Yorke (voz, teclas) no seu estilo distante e frio, como que a revelar a porta de entrada para o etéreo mundo do grupo. A temática do disco desenrola-se à volta de uma árvore, fazendo com que The King Of Limbs se assuma como álbum conceptual. Em ritmo acelerado, Morning Mr Magpie aumenta a agressividade e mostra Ed O'Brien (guitarra) a fazer-se notar, num álbum onde a guitarra vai aparecendo, aqui e ali, de forma discreta. Little By Little apresenta um cenário hipnotizante com melodias circulares, guitarras entrelaçadas e tons místicos. Feral entra em território mais abstrato, com várias colagens a criarem um interessante interlúdio. Lotus Flower é um bizarro e nocturno tema que o grupo lançou como single de apresentação. Codex surge do nada, exibindo simplicidade na voz e no arranjo de piano, criando momento de grande intensidade. A calma e a beleza continuam em Give Up The Ghost, entre muitos overdubs vocais e transcendência espiritual. O curto The King Of Limbs termina com uma elegante e ritmada balada (Separator) com bonitas melodias de voz e guitarra. Consideravelmente bem recebido por crítica e público, o disco representou um passo seguro para os Radiohead no início dos anos dez.

Faixas:
1. Bloom
2. Morning Mr Magpie
3. Little By Little
4. Feral
5. Lotus Flower
6. Codex
7. Give Up The Ghost
8. Separator

Estilos:
Avant-gard, Art-Rock.

Avaliação:****1/2

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

The Strokes - Angles (2011)

O facto dos Strokes terem precisado de dez anos para conseguirem lançar quatro discos é um forte indicador de que o grupo não está todo a rumar na mesma direcção. Provam-no os vários projectos musicais que cada elemento dos Strokes tem por sua conta, e também o nome do álbum, Angles, que segundo a banda representa os vários pontos de vista dos seus membros. Cinco anos depois de First Impressions Of Earth, os nova-iorquinos regressam com uma mistura que alterna entre o seu som habitual e explorações "electro", como as que tinham sido escutadas no álbum a solo de Julian Casablancas (voz). O som de Machu Picchu traz de volta a voz de Casablancas, electronicamente tratada, no meio de guitarras ecoantes que evoluem para um refrão apoiado por tímidas congas. Under Cover Of Darkness, com as suas linhas de guitarra rítmica equilibradas e os solos elegantes e melódicos (Nick Valensi e Albert Hammon Jr.), relata depressão e aborrecimento. Two Kinds Of Happiness entra nos anos oitenta, disfarçando a sua orientação retro no refrão ritmado e adornado com a pirotecnia de guitarras. You're So Right é uma das composições mais misteriosas do grupo, combinando dinâmicos arranjos vocais e coros de inspiração gregoriana, num tema com percussão electrónica a alta velocidade. Taken For A Fool irrompe com um ritmo funk irresistível e uma evolução melódica que abrilhanta parte intermédia do álbum. Os ritmos electrónicos regressam com Games, desta vez com linhas de sintetizador que pouco mais fazem do que torná-la estranha no contexto do disco. Depois deste desvio, Call Me Back e Gratisfaction sofrem de alguma inconsequência e falta de pungência. Metabolism combina reciclagem sonora do passado com mais letras depressivas e vestígios de temática auto-biográfica. Angles termina com a admissão de que "Life Is Simple In The Moonlight", num ambiente de alienação e busca de rumo. Uma pálida imagem que o grupo (talvez a atravessar uma crise existencial) deixa em Angles. O lançamento do disco provou que mesmo com vários anos de ausência os Strokes se mantêm populares, tendo o álbum atingido lugares cimeiros de tabelas discográficas por todo o mundo.

Faixas:
1. Machu Picchu
2. Under Cover Of Darkness
3. Two Kinds Of Happiness
4. You're So Right
5. Taken For A Fool
6. Games
7. Call Me Back
8. Gratisfaction
9. Metabolism
10. Life Is Simple In The Moonlight

Estilos:
Pop-Rock, Electro, Alternative.

Avaliação:***

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Kings Of Leon - Come Around Sundown (2010)

Desde o início da carreira que o percurso musical dos Kings of Leon tem seguido uma trajectória descendente. Começaram com um disco rock, blues e country (Youth & Young Manhood) e depois foram, progressivamente, introduzindo electrónica e desenvolvendo ambientes etéreos nos três álbuns seguintes (Aha Shake Heartbrake, Because Of The Times e Only By The Night). Estes elementos até seriam bem-vindos não fosse o crescente marasmo e monotonia que foi invadindo os discos da banda norte-americana. Mas o grupo parece ter, finalmente, encontrado o equilíbrio na sua sonoridade. O início de Come Around Sundown não podia ser mais dramático e lento, com a carga fatalista de The End a mostrar Caleb (voz, guitarra) em tom de voz grave, acompanhado por guitarras velozes e quase monocórdicas, linhas de baixo sombrias e bateria ecoante. Entretanto, tudo se transforma com o contraste luminoso de Radioactive, que celebra as raízes dos King Of Leon no meio de um ambiente gospel acentuado por uma batida de cowbell (cortesia de Nathan Followill) e arranjos de guitarra divertidos. Mantendo o contraste, Pyro volta a reduzir a velocidade e a trazer mais dramatismo à mistura, posteriormente aligeirado pelo romantismo com toques de "rockabilly" de Mary. O grupo assina uma das mais emocionais baladas com The Face, atingindo um clímax sonoro a meio do disco. The Immortals, consegue cavalgar nesse clímax e trazer Jarod (baixo), Mathew (guitarra) e Caleb para primeiro plano, com muitas texturas de guitarra e baixo, cuidadosamente entrosadas, a elevarem a canção para um plano superior. O grupo volta à terra com a gentil Back Down South, em toada marcadamente country, mostrando belos arranjos de guitarra "slide" e violino. Beach Side aproveita a descontração e desliza suavemente no seu ambiente de fim de tarde solarenga. No Money é talvez o momento mais "pesado" do disco enquanto que a divertida Pony Up, com a sua percussão elaborada, cria um interessante ambiente a médio tempo. Birthday e Mi Amigo são dois exemplos que mostram Caleb no modo intimista, sem medo de mostrar o lado sensível, admitir os defeitos e as suas fragilidades. Pickup Truck termina o álbum, de forma discreta e calma, com um refrão que sobe de intensidade. Em relação ao antecessor, o disco assinala uma subida de qualidade, não só pelas composições mas também pela convicção e naturalidade com que o grupo aborda o seu actual estado de evolução musical. Recebido de forma pouco unânime pela crítica, Come Around Sundown assegurou, no entanto, mais um sucesso de vendas para os King Of Leon.

Faixas:
1. The End
2. Radioactive
3. Pyro
4. Mary
5. The Face
6. The Immortals
7. Back Down South
8. Beach Side
9. No Money
10. Pony Up
11. Birthday
12. Mi Amigo
13. Pickup Truck

Estilos:
Pop-rock, Alternative, Folk-Rock

Avaliação:****1/2

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Vampire Weekend - Contra (2010)

Dois anos depois da estreia em disco, os Vampire Weekend regressavam com o álbum Contra. Já com muitas actuações na bagagem, a banda mostrava-se com vontade de introduzir elementos electrónicos nas composições, bem evidentes nos temas de abertura (Horchata, White Sky) e fecho do álbum (Diplomat's Son, I Think Ur A Contra). Horchata começa o disco lentamente, com xilofones a abrir caminho para cânticos africanos, ao mesmo tempo que Ezra (voz, guitarra) reflecte sobre coisas que se perdem com o passar dos anos. White Sky traz consigo uma energia muito directa e imediata, com notas curtas de sintetizador e uma melodia irresistível. Apesar do que a guitarra "surf" e ritmo animado dão a entender, Holiday não retrata férias felizes, mas antes o medo e rejeição em relação à guerra. Em California English Ezra usa o maldito "autotune" na voz, efeito que até é bem explorado e funciona no espírito multicultural, sonhador e humorado do tema. A atmosférica e gentil Taxi Cab transmite na perfeição um cenário de alienação romântica. Run mistura percussão africana e funk, sobre a qual Ezra conta uma história de luta contra as rotinas/estagnações da vida, por entre um refrão instrumental de sintetizador. A explosiva Cousins combina, para grande efeito, guitarras estridentes, ritmos frenéticos, gritos de descontrolo e puro divertimento. Para a parte final do álbum, o grupo reservou uma balada a médio (ou rápido?) tempo, Giving Up The Gun, uma balada electrónica (Diplomat's Son) com alguns samples a abordar um romance no seio da diplomacia, e um gentil sermão ao pôr-do-sol (I Think Ur A Contra). Se bem que as letras da banda abordassem temas pouco usuais na música "rock" e que ameaçavam colocar o grupo numa redoma reservada a intelectuais, a natureza imediata, simples e melódica dos Vampire Weekend torna-os muito acessíveis e apelativos. Pouco depois do seu lançamento, Contra levaria o grupo ao topo das tabelas discográficas de vários países.

Faixas:
1. Horchata
2. White Sky
3. Holiday
4. California English
5. Taxi Cab
6. Run
7. Cousins
8. Giving Up The Gun
9. Diplomat's Son
10. I Think Ur A Contra

Estilos:
Art-Rock, Indie-Rock, Pop-Rock, Folk-Rock, Electro, World Music.

Avaliação:*****

Quarta-feira, 27 de Julho de 2011

Vampire Weekend - Vampire Weekend (2008)

Lançado no início de 2008, Vampire Weekend (o álbum) reunia um conjunto muito consistente de ideias originais. O quarteto de Nova Iorque apresentava-se ao mundo com uma atitude positiva, pensadora e musicalmente irreverente. A abertura confiante de Mansard Roof, onde Ezra (voz, guitarra) escreve sobre arquitectura e história, não deixa margem para dúvidas, com todos os elementos musicais - voz, teclas, batida africana, guitarra e violoncelo - em perfeito equilíbrio. A elegante Oxford Comma prolonga a atmosfera intrigante com a sua beleza melódica e romantismo sarcástico. A-Punk eleva o ritmo, com clara inspiração de Ska, interrompida pelo refrão que recorre ao mellotron de Rostam (teclas, guitarras) para imitar flauta. Cape Cod Kwassa Kwassa usa gentis ritmos africanos, deslizando numa provocação lírica com erotismo, humor e sentido de absurdo. M79 entra em território clássico, com um início bombástico ao som de cravos e violinos, que vão acrescentando grandiosidade ao motivo nostálgico da composição. Ao longo do disco é notório que Chris Thomson (bateria) usa um kit de bateria muito simples para marcar as canções de forma algo tribal. O vocalista Ezra mostra uma versatilidade vocal assinalável, apoiado no inventivo Rostam e na sólida secção rítmica composta por Baio (baixo) e Thomson. Campus retrata um romance académico, numa toada indie-rock contraposta, a seguir, pelas melodias africanas de guitarra na sonhadora Bryn. A diversão musical reina em One (Blake's Got A New Face), com várias vozes em tom agudo, sintetizadores e ritmos apimentados. I Stand Corrected mostra um misto de fragilidade emocional e ironia, enquanto que Walcott usa a mesma velocidade e ideia rítmica para assinalar uma fuga (metafórica?). O disco termina com The Kids Don't Stand A Chance, de forma musicalmente tranquila, mas com uma mensagem interventiva e inquieta, apresentando um retrato das dificuldades que assombram os estudantes na altura de escolher um futuro a nível profissional. Beneficiando de uma boa recepção por parte da crítica, o disco de estreia dos Vampire Weekend tornou a banda imediatamente popular, um pouco por todo o mundo. A naturalidade, a harmonia e o puro talento do grupo eram demasiado evidentes para que não conseguissem alcançar um patamar de destaque.

Faixas:
1. Mansard Roof
2. Oxford Comma
3. A-Punk
4. Cape Cod Kwassa Kwassa
5. M79
6. Campus
7. Bryn
8. One (Blake's Got A New Face)
9. I Stand Corrected
10. Walcott
11. The Kids Don't Stand A Chance

Estilos:
Art-Rock, Indie-Rock, Pop-Rock, Folk-Rock, Ska, World Music.

Avaliação:*****

Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

Vampire Weekend - Biografia


Os Vampire Weekend são um grupo de Nova Iorque, formado em 2006 e constituído por Ezra Koenig (voz, guitarra), Rostam Batmanglij (teclas, guitarra), Chris Baio (baixo) e Chris Thomson (bateria). Os membros do grupo conheceram-se na universidade e iniciaram a sua actividade como banda na parte final dos estudos universitários. Lançaram o primeiro álbum (auto-intitulado) em 2008, sendo este bem recebido pela crítica que os reconheceu como um grupo enérgico, inteligente e melódico. Inspirados pela arquitectura, romances e viagens, o grupo criava composições que juntavam dinâmicos arranjos de guitarras, teclas, ritmos africanos e secções de cordas. Em 2010 lançavam Contra, num tom mais electrónico, mas que mantinha os arranjos elaborados e o flirt com os sons de África.

Estilos:
Art-Rock, Indie-Rock, Pop-Rock, Folk-Rock, Ska, World Music.

Álbuns:
VAMPIRE WEEKEND (2008)
CONTRA (2010)

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

Especial: Vampire Weekend

Depois de meses de ausência, "O Pedro e a Música" está de volta!

O primeiro tema abordará a (ainda) curta carreira do inventivo grupo americano, Vampire Weekend.



Lista de grupos incluídos:
Vampire Weekend

Estilos:
Art-Rock, Indie-Rock, Pop-Rock, Folk-Rock, Ska, World Music.

Domingo, 7 de Novembro de 2010

Wellwater Conspiracy - Wellwater Conspiracy (2003)

Mantendo o intervalo de dois anos entre álbuns, os Wellwater Conspiracy estavam de volta, em 2003, desta vez com um disco auto-intitulado. Se em The Scroll And Its Combinations o grupo havia feito um investimento na "profissionalização" do som, no novo disco sobressaía a tendência de voltar à crueza do passado. Mas esse caminho não chega a ser percorrido, já que o grupo continuava a aposta na refinação dos arranjos e das composições. O início animado de Wimple Witch carrega a habitual folia misteriosa que caracteriza o grupo - aspecto que se prolonga na dinâmica e psicadélica Galaxy 265. Os riffs circulares introduzem a provocadora Night Sky que, com a sua velocidade e estrutura variada, mantém a energia do disco em alta. O pop-rock a médio tempo, Dragonwyck, reforça a tendência melódica do álbum e inclui belos solos de guitarra de John McBain. A balada Sea Miner cria ambientes etéreos, combinando sons de mellotron e guitarras com muitos efeitos. A robótica Rebirth, sendo a primeira experiência maioritariamente electrónica do grupo, assinala um interessante contraste com o resto do disco, e é complementada pela gentileza do pop-rock em Something in the Air. Por sua vez, a instrumental Sullen Glacier demarca-se, igualmente, com o seu espírito hard-rock sujo e perigoso. Um mini-épico descontraído (Crow Revolt), uma amostra de art-rock com influências de bossa nova (My Darker Bongo), e tudo termina com uma incursão final ao oculto (Dresden Overture). Sempre criativos e aventureiros, os Wellwater Conspiracy mantinham um nível de consistência musical assinalável, ainda que os seus dois membros (John Mcbain e Matt Cameron) nunca se assumissem como um grupo "a sério". Colocariam um fim na carreira no ano seguinte.

Faixas:
1. Wimple Witch
2. Galaxy 265
3. Night Sky
4. Dragonwyck
5. Sea Miner
6. Rebirth
7. Something in the Air
8. Sullen Glacier
9. Crow Revolt
10. My Darker Bongo
11. Dresden Overture

Estilos:
Pop-Rock, Hard-Rock, Garage-Rock, Psychedelic, Experimental

Avaliação:****1/2

Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

Wellwater Conspiracy - The Scroll And Its Combinations (2001)

Em 2001 os Wellwater Conspiracy estavam de volta com o sucessor de Brotherhood Of Electric. Desta vez o grupo optava por simplificar a estrutura do disco e apostava numa produção mais cuidada. Os floreados de guitarra de John McBain, em Tidepool Telegraph, introduzem mais uma misteriosa e melódica composição, servindo de apresentação a um dos convidados do disco, o músico Derek Burns (voz). A ritmada I Got Nightmares prolonga essa magia e acrescenta a diversão e o sentido de humor, numa das mais contagiantes interpretações de Matt Cameron (bateria, voz). A balada a médio tempo C Myself And Eye conta com a participação de Kim Thayil (Soundgarden) que contribui com alguns licks de guitarra e com um interessante solo. Derek Burns volta a assumir o papel de vocalista na divertida e curta Tick Tock 3 O'Clock, enquanto que a psicadélica What Becomes Of The Clock introduz mais um convidado, Greg Armand (voz). O momento mais luminoso chega com a energia mística do folk-pop de Felicity's Surprise, que beneficia da carismática interpretação vocal de Eddie Vedder. A dinâmica e percussiva Now, Invisibly exibe o talento natural de Cameron na bateria. O psicadelismo volta com Of Dreams, realçando a habitual fluidez de McBain, e sendo seguido da "conspiração" instrumental Brotherhood Of Electric (uma referência ao disco anterior). The Scroll combina a boa disposição e apresenta um curioso dueto vocal composto por Cameron e uma voz de "chipmunk". O disco é concluído com a misteriosa incursão instrumental pelo oculto, Keppy's Lament, que inclui a colaboração de Ben Shepherd (Soundgarden) no baixo. Bem recebido pela crítica, o álbum conseguiu sair ligeiramente da esfera underground a que o grupo estava confinado.

Faixas:
1. Tidepool Telegraph
2. I Got Nightmares
3. C Myself And Eye
4. Tick Tock 3 O'Clock
5. What Becomes Of The Clock
6. Felicity's Surprise
7. Now, Invisibly
8. Of Dreams
9. Brotherhood of Electric
10. The Scroll
11. Keppy's Lament

Estilos:
Pop-Rock, Hard-Rock, Garage-Rock, Psychedelic, Experimental

Avaliação:****1/2

Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

Wellwater Conspiracy - Brotherhood Of Electric: Operational Directives (1999)

Ao segundo disco, e com a saída de Ben Shepherd (voz), os Wellwater Conspiracy transformavam-se num duo composto por Matt Cameron (bateria, voz) e John McBain (guitarra). Injectando mais hard-rock na rica e ecléctica mistura sonora, o grupo manteve o mesmo imaginário misterioso e provocador. Tal como no disco anterior, com as composições a serem intercaladas por pequenos interlúdios e experiências sonoras, a acção vai-se desenrolando de forma fluída. Matt Cameron, que se encarrega das tarefas rítmicas e vocais, abre o disco de forma determinada com Compellor, onde McBain não perde a hipótese de assinar bons solos de guitarra. A estrela convidada, Josh Homme (Kyuss, Queens Of The Stone Age) brilha na voz e guitarra da contagiante e espirituosa Teen Lambchop. Depois de um movimentado tema instrumental (Hal McBlaine), a melancólica Born With A Tail volta a trazer Cameron para primeiro plano vocal. Homme assume temporariamente o protagonismo na divertida Red Light Green Light, abrindo caminho para a agressiva rendição de Cameron no punk-hard-rock de B.O.U. Mais contrastes acontecem entre os riffs obscuros da sombria Van Vanishing e a leveza pop-rock de Right of Left Field. Josh Homme assina a sua terceira colaboração com a misteriosa Ladder To The Moon, onde emprega o seu típico sentido de humor e pontaria lírica. O último tema vocal do disco chega com o punk-rock de Good Pushin', sendo seguido de um par de instrumentais onde abundam os ambientes negros, as colagens sonoras, e a experimentação. Mantendo a aposta "lo-fi", Brotherhood Of Electric mostrou que o grupo estava interessado em refinar o som e evoluir o conceito dos Wellwater Conspiracy. O futuro parecia existir.

Faixas:
1. Destination 24
2. Compellor
3. Teen Lambchop
4. Hal McBlaine
5. Born With A Tail
6. Destination 7
7. Red Light Green Light
8. B.O.U
9. Psycho Scrimm
10. Van Vanishing
11. Right of Left Field
12. Ladder To The Moon
13. Dark Passage
14. Good Pushin'
15. Dr. Browne Dr. Greene
16. Jefferson Experiment

Estilos:
Pop-Rock, Hard-Rock, Garage-Rock, Psychedelic, Experimental

Avaliação:****1/2

Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

Wellwater Conspiracy - Declaration of Conformity (1997)

Primeiro ouvem-se ruídos misteriosos, depois chega Matt Cameron (Soundgarden) na bateria, John McBain (Monster Magnet) na guitarra, e por fim a voz aguda de Ben Shepherd (Soundgarden). Começa assim a conspiração, num ambiente garage-rock de baixa fidelidade, onde nada parece o que é. A viagem prossegue na instrumental Shel Talmy, com muitos riffs directos e ambiente movimentado. Os contrastes vão acontecendo, como na disparidade entre a obscura The Ending e a jovial Sandy (cover de um tema japonês). Mais um instrumental misterioso (Far Side Of Your Moon) e eis que o grupo homenageia Syd Barrett (Pink Floyd) com a cover Lucy Leave. Green Undertow apresenta uma espécie de country-psicadélico que se prolonga para o formato instrumental por intermédio de Enebrio. Passando pela instabilidade emocional de You Do You e por mais um nocturno tema instrumental (Space Travel In The Blink Of An Eye), os Wellwater Conspiracy incluem mais uma cover japonesa, a genérica Nati Bati Yi. A terminar, um instrumental estranho (Declaration Of Conformity), uma bizarra incursão pelo funk psicadélico (Trowerchord), e uma enigmática interrupção da conspiração (Palomar Observatory). Tanto agora como na altura do seu lançamento, Declaration of Conformity lançou muito poucas pistas do que seria o futuro (se é que havia algum) deste grupo americano. A verdade é que a intriga e o mistério do imaginário dos Wellwater Conspiracy tornavam o grupo extremamente apelativo.

Faixas:
1. Sleeveless
2. Shel Talmy
3. The Ending
4. Sandy
5. Far Side Of Your Moon
6. Lucy Leave
7. Green Undertow
8. Enebrio
9. You Do You
10. Space Travel In The Blink Of An Eye
11. Nati Bati Yi
12. Declaration Of Conformity
13. Trowerchord
14. Palomar Observatory

Estilos:
Pop-Rock, Garage-Rock, Psychedelic, Experimental

Avaliação:****

Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

Wellwater Conspiracy - Biografia

Em meados nos anos 90, por brincadeira, dois velhos conhecidos, Matt Cameron (Soundgarden, Pearl Jam) e John McBain (ex-Monster Magnet), começaram a gravar composições de baixa fidelidade ao estilo garage-rock. Pouco depois convidavam Ben Shepherd (Soundgarden) para contribuir com a voz, e assim nascia o grupo baptizado de Wellwater Conspiracy que contava com Cameron, na voz e bateria, e McBain na guitarra. A presença de Ben Shepherd não duraria muito, tendo o músico abandonado a banda americana ao fim de um disco. Daí em diante, os Wellwater Conspiracy passeariam pelo panorama musical underground com a ajuda especial de músicos como Josh Homme (Queens Of The Stone Age), Eddie Vedder (Pearl Jam) e Kim Thayil (Soundgarden). Com um som marcadamente psicadélico e revivalista, às vezes pop, às vezes experimental, e muitas vezes ambos, a banda construiu um original e apelativo imaginário. Sem nunca deixar de ser um projecto dos tempos livres dos músicos envolvidos, o grupo lançou o seu último e auto-intitulado disco em 2003, e deu por terminada a aventura no ano seguinte.

Estilos:
Psychedelic-Rock, Pop-Rock, Experimental, Hard-Rock, Punk-Rock.

Álbuns:
DECLARATION OF CONFORMITY (1997)
BROTHERHOOD OF ELECTRIC: OPERATIONAL DIRECTIVES (1999)
THE SCROLL AND ITS COMBINATIONS (2001)
WELLWATER CONSPIRACY (2003)

Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

Stone Temple Pilots - Stone Temple Pilots (2010)

Após o lançamento de Shangri-LA DEE DA, em 2002, os Stone Temple Pilots começaram a mostrar sinais de desgaste, tendo o grupo anunciado o seu fim no ano seguinte. Os mesmos músicos voltaram a reunir-se em 2009, com energia revigorada, e prontos para gravar o seu primeiro disco em nove anos. O auto-intitulado resultado (álbum) voltou a mostrar o porquê dos Stone Temple Pilots venderem milhões de discos nos anos noventa. O tema de abertura (Between The Lines) é puro pop-hard-rock que, mesmo fazendo um ligeiro flirt lírico e musical aos Nirvana, não perde nada com isso. O groove continua nos riffs circulares e na colocação vocal original de Scott Weiland (voz) no fim dos refrões de Take A Load Off, e sobe de volume e atitude no hard-rock contagioso de Huckleberry Crumble. Como sempre, o grupo beneficia da apurada secção rítmica (Robert De Leo no baixo, e Eric Kretz na bateria), destacando-se a notória evolução do guitarrista Dean De Leo no que toca a incorporar elaborados licks de blues e country em vários temas. A espectacular Hickory Dichotomy é um bom exemplo dessa infusão, combinando elementos acústicos e eléctricos para criar um ambiente pop-psicadélico que floresce ainda mais graças a uma fantástica contribuição vocal de Weiland. Dare If You Dare entra em território beatlesco apoiado em piano eléctrico e vários crescendos. Sem perder tempo, Cinnamon acelera o ritmo e acrescenta ainda mais cor e fantasia ao som do grupo. Os riffs pesados de Hazy Daze voltam a injectar groove funk, enquanto que Bagman diverte com os seus arranjos e estrutura rítmica. Peacoat é um hard-rock denso a médio tempo que beneficia dos omnipresentes riffs e texturas de guitarra. Fast As I Can é o tema mais rápido do disco e uma oportunidade para mostrar o talento colectivo da banda americana, em particular o de Dean (solo de guitarra na ponte). O romantismo ritmado de First Kiss On Mars encapsula a homenagem vocal de Weiland a David Bowie, e a terminar o álbum surge a melancolia e ternura de Maver. Medianamente recebido pela crítica, Stone Temple Pilots (o álbum) foi bem acolhido pelo público. E apesar do grupo não ter a relevância musical global que tinha nos anos noventa, conseguiu, ainda assim, chegar ao número dois das tabelas de discos vendidos na sua terra natal.

Faixas:
1. Between The Lines
2. Take A Load Off
3. Huckleberry Crumble
4. Hickory Dichotomy
5. Dare If You Dare
6. Cinnamon
7. Hazy Daze
8. Bagman
9. Peacoat
10. Fast As I Can
11. First Kiss On Mars
12. Maver

Estilos:
Hard-Rock, Pop-Rock, Psychedelic-Rock, Blues-Rock.

Avaliação:*****

Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010

Ben Harper and Relentless7 - White Lies For Dark Times (2009)

Depois da simplificação de processos feita em Lifeline, Ben Harper (voz, guitarra) reverteu ligeiramente a orientação musical, voltando a focar-se no rock. Para este novo rumo, Harper recrutou um trio texano de músicos (Jason Mozersky na guitarra, Jesse Ingalls no baixo, e Jordan Richardson na bateria) com quem já havia trabalhado no passado, agora baptizados de Relentless7. Indiferente às mudanças no alinhamento na banda de apoio, o álbum começa com a confiança e carácter típicos de Harper, num equilibrado momento (Number With No Name) de certeza lírica e musical. O drama de Up To You Now culmina no grito de desespero de Ben da parte intermédia. Shimmer & Shine mostra bem o estilo de percussão do baterista Richardson, lançando o mote para o hard-rock-funk povoado por riffs sujos. O groove R&B e soul revoltado de Lay There & Hate Me guarda para a ponte um tremendo e emocional solo de Ben Harper na guitarra. O azedume continua em Why Must You Always Dress In Black que aborda os blues de forma explosiva. Skin Thin apanha Harper num dos seus momentos folk, exibindo arranjos sóbrios de guitarra acústica e piano. O tema em crescendo, Fly One Time, constrói um imaginário simples e sonhador, trazido à terra pelo realismo terra-a-terra do rock directo de Keep It Together. Boots Like These provoca com as palavras e com a sua contagiosa percussão, contrastando directamente com o ambiente sério da condenação aberta ao acto suicídio, em The Word Suicide. Faithfully Remain conclui o disco em tom reflexivo e mostra a crença de Harper na perseverança e lealdade aos princípios, enquanto reafirma as suas convicções. Sem representar algo de verdadeiramente novo no ecléctico catálogo de Ben Harper, White Lies For Dark Times carrega a habitual musicalidade, emoção e profissionalismo, reforçando e demonstrando a sua paixão pela música.

Faixas:
1. Number With No Name
2. Up To You Now
3. Shimmer & Shine
4. Lay There & Hate Me
5. Why Must You Always Dress In Black
6. Skin Thin
7. Fly One Time
8. Keep It Together (So I Can Fall Apart)
9. Boots Like These
10. The Word Suicide
11. Faithfully Remain

Estilos:
Hard-rock, Blues, R&B, Funk, Soul, Folk-Rock.

Avaliação:****

Domingo, 1 de Agosto de 2010

Pearl Jam - Backspacer (2009)

Três anos depois do seu auto-intitulado álbum, os Pearl Jam voltaram com Backspacer. Apostado em manter a mesma energia redentora do seu antecessor, o novo disco mostrava estruturas de composição ainda mais acessíveis e directas. Gonna See My Friend começa em ritmo acelerado e retrata a luta contra os vícios, tendo como pilar da salvação o recurso a um amigo. O foco na tentação das drogas continua com a energética Got Some, cuja estrutura lírica desafia a capacidade de respiração de Eddie Vedder (voz, guitarra). The Fixer transmite optimismo e atitude na sua mensagem de determinação sobre a possibilidade de transformar tudo para melhor. Johnny Guitar apresenta a fantasia inocente de um homem que sonhava com uma rapariga da capa de um disco, enquanto que o folk romântico de Just Breathe revela um timbre vocal desconhecido até então em Vedder. Amongst The Waves usa o surf como metáfora para vivermos a vida ao máximo (mantendo-nos sempre por cima das ondas). A melodia circular e os crescendos de Unthought Known assentam perfeitamente na melancolia lírica. Supersonic volta a aumentar o ritmo e fala sobre o amor à música, antes do disco voltar a enveredar por territórios melancólicos. Speed Of Sound movimenta-se pela solidão, Force Of Nature fala dos conflitos nas relações, e The End termina o disco de forma triste e desconcertante com uma exposição frontal sobre uma relação de amor. Backspacer está impecavelmente instrumentado, com uma secção rítmica (Matt Cameron na bateria, Jeff Ament no baixo) imponente e dois grandes guitarristas (Stone Gossard e Mike McCready). Por cima da instrumentação, Eddie Vedder encarregou-se de conferir uma assinalável fluidez lírica e vocal às composições. Na altura do seu lançamento, Backspacer seria bem recebido por público e crítica, acabando por materializar este sucesso em vendas de discos.

Faixas:
1. Gonna See My Friend
2. Got Some
3. The Fixer
4. Johnny Guitar
5. Just Breathe
6. Amongst The Waves
7. Unthought Known
8. Supersonic
9. Speed Of Sound
10. Force Of Nature
11. The End

Estilos:
Pop-Rock, Hard-rock, Folk-Rock.

Avaliação:****1/2

Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures (2009)

Quando o projecto Them Crooked Vultures chegou aos jornais, todos anunciaram a chegada de mais um super-grupo. Uma reacção compreensível, ou não se tratasse de um trio formado por membros de bandas como Led Zeppelin, Queens Of The Stone Age, e Nirvana. Alguns meses depois, o resultado desta união foi lançado para o mundo e, como se podia adivinhar, combinava os riffs e ambientes psicadélicos de Josh Homme (voz, guitarra), a percussão explosiva de Dave Grohl, e o groove personalizado de John Paul Jones. No One Loves Me & Neither Do I começa de forma descontraída e exibe, à cabeça, o sarcasmo de Homme e os habituais riffs em pleno volume. A atitude provocadora continua em Mind Eraser, No Chaser, que conta com o apoio vocal de Grohl no refrão. New Fang aposta num riff circular repetitivo que vai sendo pautado de várias maneiras diferentes por Grohl e pelos solos de slide guitar de Jones. Dead End Friends aborda a temática de "andar à deriva" apoiada em riffs simples e eficazes. Homme imita elefantes com os seus efeitos de guitarra, em Elephants - um tema que se move lentamente, à excepção das aceleradas introdução e conclusão. Scumbag Blues apresenta estruturas rítmicas e riffs irresistíveis, acompanhados por uma elegante performance vocal de Homme e belos pormenores funk de Jones nas teclas. Bandoliers aproveita essa libertação para introduzir alguma melancolia, quebrada ocasionalmente pelos espectaculares momentos que combinam os riffs de guitarra, o mellotron, e a percussão elaborada de Dave. O descontrolo musical atinge o auge na psicadélica Reptiles, onde abundam as vozes e riffs distorcidos, os solos fora de tom, e os contratempos rítmicos, num tema que eleva consideravelmente a fasquia de excentricidade do grupo. Interlude With Ludes entra em território etéreo e chill-out antes da fantasmagórica Warsaw Or The First Breath You Take After You Give Up, que assinala um jam improvisado ao vivo em estúdio (na parte final). Na multi-estruturada Caligulove, Jones aparece em maior destaque nas teclas, abrindo caminho para o acelerado ataque de riffs com ritmo pop em Gunman. A misteriosa Spinning In Daffodils conclui o disco e deixa bem vincada a influência que Homme tem no processo criativo deste novo grupo. Josh cria rock denso e preparado para ser analisado à lupa (...tal como nos Queens Of The Stone Age). E a julgar pela recepção por parte da crítica e do público, talvez não seja o último trabalho que vamos ouvir dos Them Crooked Vultures.

Faixas:
1. No One Loves Me & Neither Do I
2. Mind Eraser, No Chaser
3. New Fang
4. Dead End Friends
5. Elephants
6. Scumbag Blues
7. Bandoliers
8. Reptiles
9. Interlude With Ludes
10. Warsaw Or The First Breath You Take After You Give Up
11. Caligulove
12. Gunman
13. Spinning In Daffodils

Estilos:
Stoner-Rock, Hard-Rock, Rock & Roll, Rock-Psicadélico, Pop-Rock, Funk, Experimental

Avaliação:****1/2